Wamp server ou como montar um site sem medo e sem custos

O wordpress é hoje uma das plataformas mais usadas para criação de sites -simples, gratuito, e com milhares de opções de layout. O único problema é que, se você quiser fazer uso de todo o potencial da ferramenta, vai precisar comprar um domínio próprio: usando a hospedagem disponível no wordpress.com, recursos como plugins e o acesso a novas templates ficam bastante limitados.

Até aí tudo bem, um domínio representa um investimento pequeno. Mas se você não tem muita familiaridade com a construção de sites, pinta o medo de a compra ser feita à toa – ja imaginou comprar um domínio e nem sequer conseguir instalar o wordpress para ativer seu site?

É por isso que existem ferramentas como o Wamp Server. Trata-se de um software simples, que permite a qualquer um montar uma espécie de servidor doméstico, para hospedar uma versão de testes do próprio site. Assim, sem precisar pagar nada, a pessoa pode editar suas páginas livremente, mantendo uma versão offline da publicação.

Wamp é uma sigla para Windows, Apache e PHP5. Em linhas gerais, o programa instala o Apache 1.331, PHP5, MySQL database, PHPmyadmin e SQLitemanage ou, se você preferir, a parafernália necessária para rodar seu site. Entender o que cada uma dessas coisas significa é desnecessário – basta baixar o programa e, em alguns poucos clics, tudo começa a funcionar. Daí basta seguir as instruções na tela.

Acesse o site do programa: http://www.wampserver.com/en/

 

Maré alta

Certa  vez ouvi a história de que, até bem perto do fim do século XX, quem telefonasse para um amigo na Europa conseguiria escutar o mar. O cabo telefônico que ligava os dois continentes cruzava o Atlântico e (diziam) trazia a maré para quem escutasse com atenção.  Verdade ou não, o cabo ruidoso estava lá para lembrar que, por mais rápida que fosse a conversa, havia entre os interlocutores um oceano de distância.

Essa história voltou à tona por estes tempos, quando ganhou destaque o projeto do programador Greg Mahlknecht. Em junho deste ano, o incauto começou a montar o Greg’s Cable Map, um mapa colaborativo que pretende reunir todos os cabos submarinos de internet espalhados ao redor do mundo. Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, somente uma quantidade muito pequena dos dados em rede circula via satélite: a maioria esmagadora percorre quilômetros submersa. No entanto, não havia nenhum mapa que reunisse a localização de toda essa parafernália. Com a ajuda do Google Maps e de uma multidão de colaboradores anônimos, o Greg’s Cable Map reúne hoje, passados alguns meses, um emaranhado de informações que pode ser classificada de acordo com a localização e o período de ativação de cada ligação. Novas informações podem ser carregadas por qualquer pessoa, e Greg pede que todos fiscalizem o trabalho, à procura de possíveis erros.

Não deixa de ser curioso que, em um mundo no qual a informação circula tão rapidamente, essa movimentação dependa de um suporte físico semelhante ao usado décadas atrás.  Apesar disso, ninguém ignora que o cenário mudou radicalmente. Se antes a voz vinha acompanhada por certo ruído incômodo, hoje vídeos em alta resolução viajam do Japão ao Cariri em questão de segundos, sem prejuízo de qualidade.

O mapa de Greg pode até despertar certas reminiscências, mas abre os olhos para questões inteiramente novas – além de usar uma plataforma aberta (o Google Maps), o trabalho só existe graças à contribuição de pessoas de todo o planeta. Pessoas que, juntas, decidiram buscar, selecionar e corrigir informações para realizar um projeto. Grosso modo, Greg e sua turma apuraram e criaram um ambicioso infográfico interativo.

As ferramentas hoje disponíveis permitem a colaboração ágil entre centenas de pessoas, e a produção de obras aparentemente complexas com relativa facilidade.Diante de uma multidão ávida por colaborar e com um grau de acesso à informações sem precedente, qual o papel do jornalista? Ele sabe operar essas novas ferramentas? Mais que isso – consegue, ele próprio, se situar nesse cenário, e conceber novas aplicações para as ferramentas hoje disponíveis?

São essas questões que esse blog pretende, timidamente, investigar. Pensar o lugar do jornalista em um mundo no qual a informação circula sem freios (ainda que debaixo d’água) à medida que pesquiso novas ferramentas potencialmente úteis ao trabalho jornalístico. Está dado o desafio. Agora, é mergulhar de cabeça.

A título de curiosidade – a imagem no banner da página é uma representação gráfica da utilização do Facebook ao redor do mundo. Criado pelo engenheiro Paul Butler, ele mostra os lugares em que a rede é mais ativa (pontos mais luminosos) e as principais ligações entre as redes.